Super OvO

Engordurado de Internet

[Cyber Arm]- Saindo de Casa – Robert

-Senhor, esperando ordem para avançar com a evacuação, já estamos fora da Terra.

As naves carregavam milhares de vidas, obviamente uma quantidade ínfima perto do quanto existia na Terra, segundo os relatórios que olhei deveriam ser salvas, se nada correr errado, coisa que é impossível já que estamos falando de algo novo e testado em pequenas escalas, um bilhão de pessoas.

-Senhor! Responda Senhor! General me dê a ordem logo! Preciso salvar essa gente!

Infelizmente esse soldado esperançoso não sabia o que acontecia um pouco atrás da nave que ele ajudava a comandar, claro que logo veio o aviso de que a nave do general foi acertada um pouco antes de sair totalmente da Terra, foi inevitável o sentimento de desastre dentro das outras naves que conseguiram sair.

-Soldado Armstrong!

-Senhor, sim senhor!

-A ordem foi concedida?

-Acion…aci..ci…Acionar protocolo de retirada vermelho senhor.

Foi este o momento em que todos na sala de comando da nave Desert Bone perceberam que algo ruim aconteceu, inclusive eu, cabo Robert. Rapidamente percebi a tensão em que todos estavam, o protocolo vermelho iria ser acionado somente se houvessem baixas civis de 30% do total e qualquer um com o mínimo de capacidade intelectual entenderia que a nave do general era a que continha mais gente “importante”, óbvio que esse importante era apenas um título ridículo.

Após alguns segundos de silêncio e imobilidade, como se alguém daquela nave fosse realmente importante para algum de nós, um solavanco terrivelmente brusco fez com que todos acordassem para a realidade.

-Michael acione as turbinas! Nolan e Gump peguem firme nos controles da nave! Soldado Armstrong avise-nos de qualquer coisa que receber! Cabo Robert inicie o processo de coordenadas! Nerds acionem os processos de abertura do buraco de minhoca! Todos façam rápido o que mandei!

Realmente o tenente estava irritado, mas talvez tenha sentido um pouco de prazer com o que aconteceu, afinal de contas o seu maior atrapalhador foi apagado e ele nem precisou mover um músculo, sinceramente cada vez tinha mais nojo do Johny.

O nosso grupo de cientistas avisou para que cobríssemos os olhos, entretanto antes de qualquer um conseguir uma luz cegante nos pegou por uns instantes, ou isso ou somente eu fiquei cego, alguns instantes e víamos a nossa frente o espaço se curvar lentamente, talvez o processo fosse demorar mais do que o esperado, mas isso era previsto e a coisa mais idiota que poderíamos ter feito eram aqueles segundos valiosos de tensão e mudez, como se alguém ligasse realmente para o que tinha acontecido, droga, por que nós somos tão idiotas. Enquanto os buracos iam se abrindo e formando, algo como vários funis, as turbinas fizeram com que tudo estremecesse, o calor aumentou, todos estavam mais estressados do que nunca, era a última tentativa.

-Senhor! Foram avistadas naves de interceptação saindo da Terra!

-O que você quer que eu faça soldado!? Porra! Não está vendo que temos que esperar isso funcionar!

-Desculpe senhor! Mas o senhor..

-Eu o que?

Pobre rapaz, quase senti pena dele, chegando com sonhos e recebendo em troca bicudas nas costelas, todo novato faz isso, não sei como ele foi parar na cabine de comando da nave. Também não sei porque alguém ia querer ficar nesse lugar apertado e mal ventilado, não podemos nem caminhar direito que eu quase tenho uma relação com outro aqui dentro, a única coisa que está valendo a pena é a visão do buraco de minhoca abrindo, talvez a última visão que vou ter.

-Pe…pediu pa..pa…pa

-Pare de gaguejar!

-Para informar qualquer problema que houvesse.

-Não coisas de que não posso ter controle seu incompetente!

Finalmente o buraco abriu, pelo menos acabaria com essa ansiedade de saber se ficarei vivo ou serei despedaçado em milhões. Tenho que admitir que ao ver aquela coisa na minha frente o sangue que corria em meu corpo pareceu ter congelado e formado estacas de gelo pontiagudas o suficiente para me fazer o corpo todo desconfortável e chegou a um nível tão grande que minha visão ficou turva, a nave se aproximava cada vez mais e a sensação piorava, de repente minhas pernas não existiam e logo depois os braços, meu corpo todo se adormeceu, senti um tranco e a adrenalina de lembrar do que estava nos nossos calcanhares fez com que voltasse à tona, mas não era mais necessário voltar, a realidade que eu conhecia inexistiu por alguns segundos que pareceram séculos, os vidros começaram a partir e virar poeira, em seguida o metal da nave se contorceu e depois os controles, logo chegou a vez de Nolan e Gump e um grito aterrorizante foi seguido de um silêncio profundo por parte dos mesmo e assim foi um a um, quando chegou minha vez toda uma vida passou diante de meus olhos.

Creative Commons License
CyberArm by Jefferson e Silva Nascimento is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

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