Super OvO

Engordurado de Internet

[Cyber Arm] – Saindo de casa – Ana

Um barulho mais atordoante que o normal corta o som das explosões e dos tiros nesse momento, as naves estupendas estão bem na minha frente, eu tinha escutado falar delas, mas não pensei que fossem reais, não consigo parar de pensar em como elas são lindas, são três foguetes para o impulso inicial, ambos brancos e minimalistas com talvez o tamanho de um prédio de 15 andares curvado para se encaixarem, elegantemente abraçam o compartimento principal que fica ao centro com sua exuberante cor de ébano perceptível apenas porque estou vendo uma a ser montada neste exato momento. Os contornos da nave são bem arredondados por fora, formando uma espécie de cilindro achatado com as extremidades mais estreitas, mas não a ponto de exibir um ângulo agudo, a extremidade de baixo tem turbinas imensas afundadas na própria fuselagem, como se estivessem protegendo elas e no extremo oposto ao que parece há preocupação com visibilidade existindo assim algo que da posição que estou parece vidro, nesse momento ouço barulhos de mecanismos, todos a volta se jogam no chão e eu inevitavelmente também o faço com o medo de terem descoberto a base de lançamento, seria um genocídio com aquele poder de fogo dos robôs gigantes os alienígenas varreriam os quase 2 milhões que se encontram aqui, para nossa surpresa e também alívio era apenas uma proteção sendo fechada na parte superior da nave escondendo o lindo reflexo do vidro.

-Ana!

-Sim chefe.

-Já tem as nossas reservas em mãos?

-Sim chefe, estamos na espaçonave Zeta.

-Muito bem, fique esperta para não perdermos o embarque.

Enquanto ele me fez essa pergunta pude perceber que ele me olhou das pernas a cabeça, me sinto confortável quando ele faz isso, principalmente porque na maior parte do tempo me finjo de inocente para conseguir alguns privilégios, como essa passagem de graça para a liberdade. Ele é o tipo de homem que faz qualquer coisa por uma mulher mais jovem, já tem seus 54 anos, cabelos grisalhos, 1,80 metros, olhos verdes e uma pança bem cultivada de multimilionário, sua empresa é uma fabricante de tecnologia bélica, adora chamar prostitutas para o escritório e já ouvi mais de uma vez ele pedindo para elas atenderem pelo nome de Ana quando ele chamasse, não o culpo, sou mesmo sensacional.

-EMBARQUE DA NAVE ZETA INICIADO.

-Vamos senhor, está na hora de embarcar.

-Sim Ana, vamos.

Percebi algo diferente em nossa fila de embarque, existiam muito menos pessoas nela e os poucos que estavam lá aparentavam muito dinheiro, conheci alguns rostos que vi nas reuniões do meu chefe, acho que a nave Zeta era algo a mais que a outra, enquanto nos arrumávamos para entrar alguns funcionários passavam com carregamentos que diziam caviar, champagne, trufas, entre outras comidas cujos nomes eram amplamente utilizados no vocabulário desses caras ricos.

Não sei se a parte interna das outras espaçonaves era assim, mas estava sensacional, logo na entrada um senhor vestido de fraque nos cumprimentava, solicitava pomposamente o bilhete e pedia para algumas atendentes igualmente bem vestidas nos levarem as nossas cabines. No chão um tapete vermelho se estendia por todos os lados, as paredes eram decoradas com obras de arte e a cor da mesma era de um tom de púrpura bem escuro, o teto ostentava padrões belíssimos e já não ia ser surpresa que as cabines seriam do mais alto padrão.

-Está gostando minha querida?

-Sim chefe.

-Espere para ver sua cabine, pedi para que decorassem com tudo que achei de bom gosto para você.

-Muito obrigado chefe.

Enquanto estávamos a caminho das cabines notei que o chefe não gostou muito do meu tom de voz sério em nossa conversa, entretanto não darei bola, ele sabe que eu respondo assim, principalmente enquanto profissional.

-Se precisar de algo lhe chamarei Ana.

Após essa frase ele entrou em uma cabine cuja porta era aparentemente de madeira esculpida em alto relevo, anjos eram o que decoravam a entrada da cabine de meu chefe, outras portas que vi foram uma de aço escovado, uma de vidro moldado com padrões dignos de um caleidoscópio e uma das mais impressionantes era feita de vários materiais entre eles pedras preciosas e tinha a cena de uma mulher em uma pose erótica enquanto um alienígena observava ao longe, achei um tanto excêntrico.

-Senhora, sua chave.

Abanei a cabeça em um gesto de gentileza que acho não ter sido percebido tamanha velocidade com que a mulher avançou pelo corredor, me deparei com uma porta incrível, ela era de aço escovado com um desenho abstrato feito com ouro, apesar de não saber exatamente o que estava ilustrado me senti muito bem ao ver a arte em minha porta, toquei com a chave na fechadura ao lado.

-Por favor fique em uma postura correta em frente a porta para iniciação do processo biométrico.

Atendi ao que a voz me disse e rapidamente um escâner de corpo me leu, entrei no quarto e era exatamente a réplica do meu apartamento, nesse momento fiquei assustada, onde meu chefe conseguiu saber como minha casa era?

-Por favor entre dentro de sua câmara de segurança.

Tomei um susto com a voz, olhei para os lados e em uma das paredes vi uma tela com uma pessoa esperando que eu entrasse na câmara, deveria ser o computador do quarto, nunca vou me acostumar com esses procedimentos automáticos e se isso acontecer vai demorar, foram quase 4 anos para que os sustos com o aviso de biometria da empresa acabassem de vez. Fiz o que o computador me pediu e entrei na câmara, alguns cintos me prenderam para que eu estivesse segura, até que a nave estivesse em órbita eu deveria ficar dentro da câmara.

Senti um solavanco e a nave começou a ser erguida e posta na vertical.

-Ativar computador.

-Computação pessoal temporariamente desativada.

Que droga, ia ficar ali algum tempo e não podia nem olhar o que tinha no guarda-roupas. Resta apenas o pensar no que irei fazer nessa nave gigante e luxuosa, um barulho enorme que eu já conhecia começa e sinto que estamos subindo, que sensação esquisita, nunca tinha pensado que iria sair da Terra um dia, só não é mais estranho que ter ela atacada por alienígenas que nós próprios aj…

Um ruído de explosão atrapalha meus pensamentos e de repente vejo apenas as paredes se contorcendo sobre mim, é o meu fim.


CyberArm by
Jefferson e Silva Nascimento is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

Anúncios

Navegação de Post Único

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: