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Engordurado de Internet

Memórias Inquietantes

Mais um dia pacato no vilarejo de Altimor, era como qualquer outro vilarejo, um templo central, uma praça em frente, várias vendas em volta e um pouco mais longe casas, mais especificamente casebres e mais distante ainda as plantações. Pobres moradores, acharam que seria mais um dia como qualquer outro.
Ao entardecer, depois do horário do almoço foi quando aconteceu o inesperado, um velho, de cabelos brancos, pele manchada pelo tempo, olhar astuto e azul celeste pedia um pedaço de pão na praça, mais de uma vez negaram e mesmo seu maior rival não lembraria daquela face, pois apesar do pouco tempo passado ele parecia ter envelhecido alguns 60 anos.
Naquela mesma praça um último homem, o homem cujo velho esperava abaixou para gentilmente lhe oferecer pão, ao tocar o alimento o velho pegou-o pelo braço com a outra mão, deixou seu capuz marrom, aparentemente de couro cair, olhou em seus olhos e sorriu, não um sorriso qualquer, mas um sorriso de quem fazia algo premeditado e gozava cada minuto do que ia acontecer. O homem ficou atônito e sua memória foi se reavivando «Você», disse o homem e logo esta palavra fora proferida o velho retrucou em voz baixa, contudo alta o suficiente para ser escutada pelo homem «Lembraste de mim caro amigo! Pois isto reservei para tu e esta corja imunda que vive aqui!». Logo terminou de proferir esta frase e o braço do homem começou a queimar onde o velho tinha a mão, o homem socou o velho e começou a correr.
A corrida não resultou, o velho começou uma gargalhada rouca e maligna, o chão sobre os pés do homem começou a se mexer como uma esteira, impedindo seu progresso, não só isso, mas virou em brasas e seus pés nus começaram a queimar e o ador insuportável era tal qual a deformação que seus pés sofriam, primeiro a pele se soltou grudando nas brasa, suas feridas sangraram pouco, porque logo foram cauterizadas, seus dedos se viravam em bolhas, o primeiro a estourar foi seu dedo mindinho e ao explodir seus nervos e ossos ficaram ao sabor daquele insuportável calor, logo todos os outros dedos estavam se abrindo como uma espinha sendo estourada, suas pernas estavam banhadas de sangue fervente, seus nervos começaram a se arrebentar pelo pisar direto nas pedras incandescentes e seus ossos começaram a carbonizar, entretanto seu medo era tanto que não parava de correr e gritar. O velho ria cada vez mais loucamente até que o chão parou e o homem avançou com seus olhos chorando sangue de tanta dor. Pobre homem, não sabia porém que era só o começo, quando conseguiu correr deu de cara com um muro que parecia subir do próprio submundo, feito de ossos e sangue, carne e pessoas, demônios e chifres, era quente como o próprio inferno, os habitantes desse muro não demoraram em agarrar o pobre homem e logo em seguida arrancar sua pele, a dor era tão forte que o homem desmaiou.
O homem acorda e percebe que está no colo de seu algoz no meio da rua, como se nada daquilo tivesse acontecido, mas quem dera ter sido só um sonho, o velho sorrindo com um prazer incrível logo fala «Gostou de seu presente Albert!», Albert olha em volta e vê rostos horrorizados enquanto houve vozes de acusação para cima do velho «Bruxo!».
Sua visão turva pela recente experiência vê alguém levantando a mão e em seguida algo vem em sua direção, só que uma parede de rocha incandescente sobe e protege ele e o velho, o velho sempre sorridente «Disse-lhos! E cumpri, voltei!» larga Albert no chão e se levanta todo torto e corcunda, o chão sob seus pés começa a esquentar, a vila parece mergulhar em uma luz vermelha e um buraco abre no céu.
O buraco no céu não era normal, claro, um buraco no céu nunca é normal, mas esse era pior, era um rasgo que se abria no céu e começava a sangrar e sangrar, como uma ferida temível, não suficientemente aterrorizante saiam também sons daquele rasgo, gritos abafados e gemidos de dor altíssimos, era como se abrissem uma câmara de tortura. Do rasgos viam-se estranhos seres voando lá dentro, humanóides com asas coriáceas tanto parecidos com humanos quanto seres deformados, aberrações com vários braços, chifres e até correntes cravadas em seus corpos, o maior problema foi quando as pessoas começaram a correr e gritar, aqueles seres perceberam e olharam para a vila.
O velho olhou para Albert «É isso que todos vocês merecem» e piscou um de seus olhos com verrugas, olhou de volta para a passagem no céu e de lá sairam os horríveis seres, eles vinham atrás das pessoas e as multilavam, mas as deixavam vivas, o prazer delas era ver o sofrimento, cabelos eram puxados até sair de seu couro cabeludo, olhos eram arrancados com as unhas sujas e devorados lentamente, mulheres, crianças e homens não eram poupados, alguns ganhavam passeios aéreos que acabavam em fraturas e contusões, homens ficaram eunucos lentamente através de ganchos e correntes que os deformavam pelo ar, algumas pessoas eram estupradas violentamente pelos seres que tinham cheiro de enxofre, os gritos de horror e dor eram ouvidos provavelmente a quilômetros e talvez tenham assustado durante anos alguns viajantes.
Albert vê o velho olhando fixamente para o portal e seus olhos também se voltam para o tal, de lá parece sair uma figura bonita, com asas, parecia ser o homem mais bonito que vira na vida, não usava camisas e sua calça era negra como o mais terrível pesadelo, suas unhas eram um pouco longas e pareciam quentes, ele todo parecia muito quente, fumaça saia de seu corpo, uma fumaça amarelada, cor de enxofre, seus cabelos eram longos e lisos, iam até a cintura, bem penteados, seu corpo era bem definido, nada monstruosamente forte, sua face transparecia uma paz e arrogância inigualáveis, rosto fino, não carregava pêlos faciais, seus olhos eram algo que lembrava o formato dos olhos de um gato, sua íris era vermelha como o próprio fogo.
O ser foi até o velho e olhou para ele, o velho apenas apertou sua mão, apontou para Albert e foram juntos andando em direção a ele, o velho falou como se tivesse degustando o mais saboroso dos vinhos «O seu verdadeiro castigo meu caro, será muito pior.». O ser pegou Albert no ombro e seguiu o velho, chegaram a uma pequena casa que parecia não ser atacada e Albert logo reconheceu, sua casa, assim que tentou gritar levou um soco e emudeceu.
Sua mulher estava chorando em um canto dentro da casa e o velho sorridente apontou «Lucas, nosso trato pode correr, ela é Lilian, ela te dará descendentes. Pode começar, mas antes vamos deixar Albert numa visão privilegiada.». Albert foi amarrado fortemente a uma cadeira ali escorada e sua mulher foi pega com muita violência pelo braço, o velho ria e praguejava contra os dois, o mais incrível foi ver que ao levantar a cabeça e ver Lucas ela substituiu as lágrimas e o olhar aterrorizado por um sorriso apaixonado, seus lábios carnudos se fizeram a sorrir, seus olhos azuis não desgrudavam dos de Lucas, seus cabelos emaranhados pareciam se eriçar, aliás todos os seus pêlos se eriçaram, seus seios atrás do vestido de camponesa logo tiveram os mamilos endurecidos, sua intimidade logo estava cheia de desejo, suava como nunca suou, todo seu corpo estava molhado, uma sensação de calafrio atravessou toda sua espinha, suas penas ficaram bambas e logo Lucas não necessitava mais de segurá-la.
Seus braços adornaram o pescoço de Lucas e sua boca tocou a boca de Lucas, o cheiro de enxofre e o gosto não pareciam encomodá-la, ele pegou ela pela cintura e apertou-a contra o peito, suas garras rasgaram suas roupas, Albert não queria olhar, mas o velho o segurava para olhar tudo, com um empurrar Lucas levou abaixo todo o corpo de Lilian, ela o acariciava com o veludo que parecia ser sua pele, suas carícias foram assistidas e Albert não se aguentava, chorava e chorava, Lilian, que estava de joelhos, foi virada como um cervo gracioso e seu corpo foi dominado, ela gritava, sangrava, entretanto parecia pedir mais e mais, Albert gritara um não alto e claro ao ver a cena que era desaprovada e perseguida por todo o reino, seus praticantes normalmente eram atirados a grandes fogueiras. Aqueles minutos pareciam horas na cabeça de Albert, entretanto como o velho disse, ela o daria descendentes, logo o ato não estava completo, novamente Lilian foi levantada, entretanto agora seus corpos estavam mais próximos, as garras de Lucas acariciavam seus seios e ela exibia um rosto de pleno prazer, todo o calor dele parece ter sido transferido e ela fechou os olhos e se apertou contra o peito dele, foi virada de frente e logo levou sua boca a de Lucas, suas pernas trêmulas subiram e se prenderam a ele, seus braços pareciam agarrar mais forte do que nunca e seus movimentos revelavam algo que Albert jamais vira, ela soltou seus braços e foi logo deitada sobre a mesa de jantar, sua sinfonia poderia ser escutada fora da casa se os gritos de horror não fossem tão altos lá fora, até que seus olhos apertaram e rapidamente ela levantou e o agarrou, pareciam se unir em um único ser e logo depois seu corpo desfaleceu com o amor que acabara de receber de um ser que transpirava o mal.
Albert pedia para ser morto, entretanto algo pior o esperava, Lucas foi até ele e enquanto Albert gritava sua boca fora preenchida por completo e logo humidecida, cuspindo e vomitando sua cadeira foi virada o assento arrancado com fúria, suas roupas rasgadas e uma dor horrível tomou conta de seu ser, nele foi repetido o feito em sua mulher, mas com mais violência, sentiu o sangue escorrendo entre as pernas e logo algo mais quente que seu próprio sangue escorreu pela mesma, fora posto de volta a sua posição e o velho disse «É toda sua a alma deste pobre diabo!», então Lucas arrastou a cadeira com sua nova aquisição até a porta, com um chute a arrancou e foi voando até o portal, levando consigo toda aquela horda, o velho foi até Lilian e cuspiu em sua cara, foi embora logo depois de se aproveitar do corpo desfalecido como sempre sonhara um dia fazer e foi embora para nunca mais se ouvir falar dele.

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