Super OvO

Engordurado de Internet

Capuz Negro

 A noite é bela, com sua lua cheia e brilhante, o garoto se arruma para ir à sua aula entediante, em um pequeno bairro, em um pequeno subúrbio, em um pequeno pensamento livre, o garoto está arrumado e com sua mochila, dá tchau a mãe que está mais velha do que qualquer coisa que este garoto consiga se lembrar, nem mesmo das aulas de história ele consegue tirar algo mais velho, talvez por nunca ter conseguido gravar aquele amontoado de números e letras cuspidos ao montes em sua cara, fora que sua professora não ajudava muito na concentração, uma baita de uma gostosa, peitões, bundão, sorriso de… bem, pela educação caseira e antiga que tinha ele não gostava de admitir, mas seus colegas e amigos estão certos, cara de puta, daquelas mais safadas que só de olhar….. hunnnnn…… sua mão vai de encontro ao dinheiro para pagar por seus belos e sempre bem vindos serviços. Pegou seu boné, óculos e mp3, tinha poucas músicas, fazia tempo que esse pedaço de plástico chinês tinha quebrado e assim o garoto ouvia ou rádio ou seu blues que o cara que revendeu para ele, provavelmente um “crackudo” todo fumado, disse que gostava e que isso e que aquilo outro, claro que o garoto sabia que era só invenção, quem ia vender um mp3 por 5 reais e ainda por cima com música dentro, botou o blues porque estava no horário político e já não aguentava mais aquela mesma falação, afinal, já sabia a verdade e não precisava se importar, sua mãe sempre dizia que era melhor ignorar isso e votar em branco porque era sempre a mesma coisa e a mesma roubalheira, para que esquentar a cabeça com esse monte de “bullshit”, mesmo sem saber direito o significado ele adorava chamar tudo de “bullshit”. Já estava com tudo pronto e começou a sua marcha, passou pelo pessoal do bar, aquela galera que está sempre bebendo e fumando e jogando sinuca e jogando “fliper”, a máquina e não o golfinho que passa na TV, droga, porque, porque se lembrou dos “flipers” e lá foi o rapaz se maldizendo e xingando por ter olhado para elas e toda a molecada feliz jogando, fez uma promessa que seria só uma luta e ia para a aula, que nada, depois que ganha a primeira já era, o vício toma conta e controla a mente, mas nada controla a mente melhor que uma porrada com fio nas costas dada ao mesmo tempo que um sonoro “FILHO DA PUTA!!!! VAI PARA A ESCOLA!!!! PORRA!!!” pela sua própria mãe, é meu caro, não foi dessa vez, saiu aos pulos correndo e pedindo desculpa, inventando entre uma e outra que não ia ter as primeiras aulas hoje, sua voz fraquejou e era possível ouvir um choro na garganta do moleque, aliás garoto, mas é mais do que óbvio para toda a sua galera que ele tá só de zoação pra mãe afrouxar com ele e deu certo, sempre dá certo, virou a esquina e já estava nas gargalhadas e pensando em como tudo tinha valido a pena, melhor que ir pra esse lugar chato era o pensamento do garoto.

Mais um pouco de caminhada pelas ruas fedidas e cheia de gente estranha e chegou na escola, o primeiro pensamento depois da bronca que tomou foi “Que se foda” e depois subiu pra assistir os últimos tempos de aula, mas já tinha preparado tudo, esse dia ia ser especial, quase tinha se esquecido depois de tanta alegria no fliper, ah! Mas só se lembrou por causa do chute na cadeira e da pergunta de sempre sobre o dinheiro, lembrou de tudo, o êxtase da alegria de ter evitado a aula de matemática e português tinham feito ele quase esquecer, já faziam uns bons meses que esses moleques novos tinham começado a encher o saco dele roubando uma grana aqui e outra ali, fora as porradas que eles davam nele depois da aula e ninguém via, bem só soube de uma coisa, se ninguém via o que eles faziam ninguém via nada por ali, abriu a mochila e viu o capuz, viu que seu plano ia dar certo, o susto ia ser perfeito, um capuz negro, uma arma sem munição e a voz que ele treinou por meses. Tocou o sinal e mais uns empurrões dos caras chatos, o garoto foi ao banheiro e se trancou tempo o suficiente para trocar de roupa e sair desapercebido, na encolha, na moita, dixavado, um sorriso pegou ele e viu os dois lá fora, verificou se a arma estava sem balas, seu pai tinha ensinado ele a fazer isso e ele aprendeu bem facilmente, estranhamente fácil para quem as escolas sempre diziam ter um tal de déficit e não ia aprender nada rapidamente, nem com reza braba, esperou mais um pouco e viu que não tinha mais ninguém na rua, pôs o capuz e avançou, foi um momento de glória, fez a voz grave que tanto treinou em frente ao espelho e finalmente usou aquela parada de projeção de voz que aprendeu no coral da escola, isto é, quando ela tinha um, sabe, foi dissolvido, faltou verba e tiraram, disseram que não era necessário pra galera noturna esse tipo de coisa, que eles tinham que ir rápido e quanto mais rápido melhor, é realmente uma pena, o garoto gostava tanto disso, chegou a um ponto dele só ir para a aula por causa do coral, ah e claro, pela professora de história, mas isso tudo foi antes dos moleques chegarem e escolherem ele por algum motivo que fugia da cabeça dele, sempre se perguntou porque ele foi a porra do escolhido e não os caras mais estranhos, tinha o albino e o moleque orelhudo, mas foram nele, que se dane, hoje ele ia pregar um susto tão grande que eles iam desistir de ir para a aula de noite, puxou a arma e trio de voz bizarra, arma cintilante e capuz maligno fizeram um deles atravessar as ruas em desespero, começou a sentir uma vontade de rir incontrolável, mas tinha de se manter firme e forte, sem levantar suspeitas e de repente seus pensamentos foram atingido por um caminhão, só não doeu mais porque quem estava sendo atingido de verdade era o moleque que correu, o choque foi enorme, abaixou a arma e a voz, o outro rapaz saiu correndo na outra direção e ele só conseguiu ficar ali parado, olhando o acidente e as lágrimas de horror molharam seu capuz, antes de se virar e ir embora estava deitado no chão, o outro moleque não tinha fugido e sim ido buscar reforço, que no momento era um pedaço de pedra grande e sólido e manchado de sangue.

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