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Insignificante cosmo

Em um ponto azul, que de nada vale no meio de tantos outros pálidos pontos azuis dois insignificantes seres, mesmo que sua insignificante civilização diga não, conversam sobre um insignificante assunto perante tantos outros insignificantes assuntos. «Eu consegui! Nós vamos ver tudo! O início, vamos logo!» e depois desta chegada afobada e alegre a dentro do laboratório quase derrubando o ionificator de mozzalation, uma máquina que apesar do nome difícil serve para esquentar mais rápido a pizza que todo dia os dois insignificantes seres comem o outro responde com tom cético, beirando o satírico, senão o próprio sarcasmo «Du-vi-do» e sem deixar barato, assim como os impostos cobrados em sua terra para taxar uma formiga que ele tinha encontrado em uma amostra acidentalmente posicionada abaixo de seu acidentalmente comprado microscópio cujo real dono ficou acidentalmente desconfortável ao ver o preço do tal imposto sobre valor de formigas acidentalmente encontradas em baixo de microscópio ou como a sigla diz: IVFAEBM, disse «Você perdeu a confiança meu velho? Temos que ter fé de vez em quando, esqueceu que achamos que o tal de bóson era mentira e no final tudo se revelou posicionado no local correto para que conseguíssemos e conseguimos encontrar a tal da partícula do nosso senhor e salvador.», claro que o sarcástico outro insignificante ser retrucou com todos os argumentos possíveis e inimaginável que conseguisse lembrar para rebater essa opinião, ou como ele dizia, achismo, de seu insignificante colega de trabalho e bebedeira, mas devido a natureza muito técnica e absurdamente chata que ele usou para falar sou obrigado a resumir «Outra vez essa história de criador e criatura.». O rapaz eufórico pegou o rapaz entediado pelo Braço Mecânico© devidamente instalado e posicionado para ser puxado quando necessário e o levou para sua sala onde se encontrava o equipamento «Tá vendo, tá vendo, é esse, vamos lá no INUTIL testar», para você que não está familiarizado com essas siglas todas meu amigo eu traduzo: INUTIL – Instalação Nietschiana Universal para Tatear os sistemas Interestelares e criar outros sistemas realmente Leais as leis da natureza.

Depois de chegarem instalaram o equipamento e foram testar, um feliz e outro cético, ah ia esquecendo, as palavras que não aparecem na sigla foram retiradas por falta de verba para construção do letreiro bonito, a instalação foi fácil, simplesmente plugaram o US46B a entrada do equipamento e pimba, foi reconhecido com sucesso, desculpem-me eu estou mentindo, pediu atualização de drivers e foi um saco fazer o sistema reconhecer algo que ainda nem tinha sido inventado, princialmente por já existirem patentes sobre o funcionamento completo que algum espertalhão criou e ficou esperando alguém com um pouco mais de verba e tempo criar para entrar com um processo e lhe roubar até os glúons do sovaco. Após este inferno de cd’s (sério que ainda usam isso?) e fios (outra coisa que não acredito que ainda existe) eles conseguiram ligar o INUTIL ao DESAGRADAVEL, sim já sei, mais um desmembramento não tão sanguinário de siglas: Descapacitador Emblemático e Sazonal Agradável, sinceramente, não sei de onde ele tirou este nome para uma máquina do tempo com protetores super iônicos, mas essa é outra discussão. Ligaram a máquina e um barulho nada ensurdecedor foi ouvido, depois uns estalos «Hehehe, não era para estar acontecendo isso» e agora se houve um chute em uma lataria «Assim que você inventas essas geringonças?» «Basicamente, sempre sem esquecer de xingar também» «Por onde entramos?» «Então, estava para projetar isso e…» instantaneamente após este “e”, na verdade após as reticências, como numa magia feita pelo narrador da história que queria ver o que acontecerá uma porta de madeira com detalhes em vitral e uma abertura com dezenas de mulheres nuas, erhh… seminuas, e um pequeno sino aparecem na frente dos insignificantes seres «…», os dois se entreolham e acenaram com uma concordância quase descordada de que era correto entrar naquela porta magicamente surgida e assim foi, o cético disse «Vamos logo, quero ter tempo para tomar meu café e continuar pesquisas sérias sobre a Confortamizition, aquela partícula responsável pelo conforto sabe.» e tentou ver se tinha algum ar de inveja no rosto alegremente confuso do outro ser, simplesmente e infelizmente não tinha um sinal de inveja, depois dessa constatação colocou a mão sobre a maçaneta de aço inoxidável escovado, quer dizer, de madeira, não, de aço mesmo e após a confusão gerada por maçanetas se alterarem em sua mão passar girou ela até abrir a porta, um nhéeeeec foi deixado pelas dobradiças, viu um pequeno tapete escrito “Bien Venido” e deixou pra lá o fato de estar escrito em espanhol, diante de seus olhos pode ver o nada, mas não um nada qualquer e sim um nada que ninguém e nem nada tinham visto ainda, pensou consigo que nem mesmo as revistas políticas continham uma sensação de vazio tão profunda e chamou seu insignificante companheiro para não se sentir sozinho e ver o espetáculo começar.

Os dois lá, sentados no tapete inexplicavelmente em espanhol que foi relevado totalmente, afinal de contas estava dentro de uma porta de igual ou maior inexplicabilidade, comendo pipocas e esperando o inevitável e logo depois de acabar a pipoca e o refrigerante, dessa vez sem ser culpa de trailers, se iniciou o Big Bang, que não era nem e nem Bang «Eu disse, como sempre foi teorizado, sem nenhum elfo criando nada com uma receita de bolo.», o outro insignificante demonstrou um profundo desgosto e tristeza, ficaram ali assistindo, em algum momento um pensou em documentar, mas os papéis eletrônicos estava longe e descarregados o suficiente e logo o pensamento foi substituído sobre que modelo de smarteye novo ele irá comprar para a filha com mania de princesa, lembrando dá última vez em que ela quimou o sutiã em praça pública por não ter gostado da cor.

Alguma horas se passaram e por mais finito que ainda estivesse era lindo de assistir, foi aí que um deles gritou «OLHA, LÁ ONDE COMEÇOU, TÁ NASCENDO ALGO!» e o outro não quis acreditar, uma nuvem colorida, uma nebulosa começou a aparecer daquele ponto infinitesimalmente pequeno, como se tivesse olhos ela se posiciona olhando para eles e parece se balançar de modo desaprovador, como se não quisesse ninguém diferente ali, brilha um pouco em sequência e o outro ser insignificante traduz « Isso é binário! Eu sou o poderoso» e antes da frase que parecia estar sendo criada, terminar, o que nem de longe ou mesmo de perto é pouco tempo, já que estamos falando de código binário, um buraco negro super massivo se forma, pra quem gosta de nomes um Quasar, algo que você não deveria pensar em chegar perto já que nem mesmo a luz toda atrasada para chegar no castelo da rainha copas consegue escapar, o “ser poderosíssimo” é sugado sem dó nem piedade, dizem até que estava usando canudinho e o cético diz «Isso que dá ficar tropeçando em horizontes de evento por aí.» e com um sorriso que parecia ser complacente, seja lá o que for isso, olha para o colega insignificante, os dois insignificantes trocam olhares insignificantes por segundos insignificantes e começam a gargalhar enquanto saem para dentro do laboratório de volta e desligam o equipamento enquanto marcam quando vão beber aquela significante cerveja.

Licença Creative Commons
Insignificante cosmo de Jefferson e Silva Nascimento é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Baseado no trabalho em https://superovo.wordpress.com/2012/09/02/insignificante-cosmo/.

Capuz Negro

 A noite é bela, com sua lua cheia e brilhante, o garoto se arruma para ir à sua aula entediante, em um pequeno bairro, em um pequeno subúrbio, em um pequeno pensamento livre, o garoto está arrumado e com sua mochila, dá tchau a mãe que está mais velha do que qualquer coisa que este garoto consiga se lembrar, nem mesmo das aulas de história ele consegue tirar algo mais velho, talvez por nunca ter conseguido gravar aquele amontoado de números e letras cuspidos ao montes em sua cara, fora que sua professora não ajudava muito na concentração, uma baita de uma gostosa, peitões, bundão, sorriso de… bem, pela educação caseira e antiga que tinha ele não gostava de admitir, mas seus colegas e amigos estão certos, cara de puta, daquelas mais safadas que só de olhar….. hunnnnn…… sua mão vai de encontro ao dinheiro para pagar por seus belos e sempre bem vindos serviços. Pegou seu boné, óculos e mp3, tinha poucas músicas, fazia tempo que esse pedaço de plástico chinês tinha quebrado e assim o garoto ouvia ou rádio ou seu blues que o cara que revendeu para ele, provavelmente um “crackudo” todo fumado, disse que gostava e que isso e que aquilo outro, claro que o garoto sabia que era só invenção, quem ia vender um mp3 por 5 reais e ainda por cima com música dentro, botou o blues porque estava no horário político e já não aguentava mais aquela mesma falação, afinal, já sabia a verdade e não precisava se importar, sua mãe sempre dizia que era melhor ignorar isso e votar em branco porque era sempre a mesma coisa e a mesma roubalheira, para que esquentar a cabeça com esse monte de “bullshit”, mesmo sem saber direito o significado ele adorava chamar tudo de “bullshit”. Já estava com tudo pronto e começou a sua marcha, passou pelo pessoal do bar, aquela galera que está sempre bebendo e fumando e jogando sinuca e jogando “fliper”, a máquina e não o golfinho que passa na TV, droga, porque, porque se lembrou dos “flipers” e lá foi o rapaz se maldizendo e xingando por ter olhado para elas e toda a molecada feliz jogando, fez uma promessa que seria só uma luta e ia para a aula, que nada, depois que ganha a primeira já era, o vício toma conta e controla a mente, mas nada controla a mente melhor que uma porrada com fio nas costas dada ao mesmo tempo que um sonoro “FILHO DA PUTA!!!! VAI PARA A ESCOLA!!!! PORRA!!!” pela sua própria mãe, é meu caro, não foi dessa vez, saiu aos pulos correndo e pedindo desculpa, inventando entre uma e outra que não ia ter as primeiras aulas hoje, sua voz fraquejou e era possível ouvir um choro na garganta do moleque, aliás garoto, mas é mais do que óbvio para toda a sua galera que ele tá só de zoação pra mãe afrouxar com ele e deu certo, sempre dá certo, virou a esquina e já estava nas gargalhadas e pensando em como tudo tinha valido a pena, melhor que ir pra esse lugar chato era o pensamento do garoto.

Mais um pouco de caminhada pelas ruas fedidas e cheia de gente estranha e chegou na escola, o primeiro pensamento depois da bronca que tomou foi “Que se foda” e depois subiu pra assistir os últimos tempos de aula, mas já tinha preparado tudo, esse dia ia ser especial, quase tinha se esquecido depois de tanta alegria no fliper, ah! Mas só se lembrou por causa do chute na cadeira e da pergunta de sempre sobre o dinheiro, lembrou de tudo, o êxtase da alegria de ter evitado a aula de matemática e português tinham feito ele quase esquecer, já faziam uns bons meses que esses moleques novos tinham começado a encher o saco dele roubando uma grana aqui e outra ali, fora as porradas que eles davam nele depois da aula e ninguém via, bem só soube de uma coisa, se ninguém via o que eles faziam ninguém via nada por ali, abriu a mochila e viu o capuz, viu que seu plano ia dar certo, o susto ia ser perfeito, um capuz negro, uma arma sem munição e a voz que ele treinou por meses. Tocou o sinal e mais uns empurrões dos caras chatos, o garoto foi ao banheiro e se trancou tempo o suficiente para trocar de roupa e sair desapercebido, na encolha, na moita, dixavado, um sorriso pegou ele e viu os dois lá fora, verificou se a arma estava sem balas, seu pai tinha ensinado ele a fazer isso e ele aprendeu bem facilmente, estranhamente fácil para quem as escolas sempre diziam ter um tal de déficit e não ia aprender nada rapidamente, nem com reza braba, esperou mais um pouco e viu que não tinha mais ninguém na rua, pôs o capuz e avançou, foi um momento de glória, fez a voz grave que tanto treinou em frente ao espelho e finalmente usou aquela parada de projeção de voz que aprendeu no coral da escola, isto é, quando ela tinha um, sabe, foi dissolvido, faltou verba e tiraram, disseram que não era necessário pra galera noturna esse tipo de coisa, que eles tinham que ir rápido e quanto mais rápido melhor, é realmente uma pena, o garoto gostava tanto disso, chegou a um ponto dele só ir para a aula por causa do coral, ah e claro, pela professora de história, mas isso tudo foi antes dos moleques chegarem e escolherem ele por algum motivo que fugia da cabeça dele, sempre se perguntou porque ele foi a porra do escolhido e não os caras mais estranhos, tinha o albino e o moleque orelhudo, mas foram nele, que se dane, hoje ele ia pregar um susto tão grande que eles iam desistir de ir para a aula de noite, puxou a arma e trio de voz bizarra, arma cintilante e capuz maligno fizeram um deles atravessar as ruas em desespero, começou a sentir uma vontade de rir incontrolável, mas tinha de se manter firme e forte, sem levantar suspeitas e de repente seus pensamentos foram atingido por um caminhão, só não doeu mais porque quem estava sendo atingido de verdade era o moleque que correu, o choque foi enorme, abaixou a arma e a voz, o outro rapaz saiu correndo na outra direção e ele só conseguiu ficar ali parado, olhando o acidente e as lágrimas de horror molharam seu capuz, antes de se virar e ir embora estava deitado no chão, o outro moleque não tinha fugido e sim ido buscar reforço, que no momento era um pedaço de pedra grande e sólido e manchado de sangue.

Mais de um

Acabara de tomar banho, tinha os olhos verde esmeralda, bigodes curtos como o de um Don Juan, barba por fazer, sobrancelhas arqueadas e finas, não era forte e conservava uma pança não muito saliente, usava óculos quadrado e sempre gostava de ser elegante antes das reuniões, colocou seu paletó preto com uma gravata prata, seu lenço no bolso e de cachimbo na mão resolveu se perfumar, um cheiro amadeirado junto de um doce cítrico tomou conta do quarto.

– Agora sim estou pronto para a reunião.

Falou com sua voz grave de barítono e foi de encontro ao escritório. Ao entrar logo fechou a porta para que sua mulher não ouvisse a conversa do grupo, assim que fechou foi logo abraçado por José, um rapaz simpático com uma barba sempre por fazer.

-Como vai essa força meu amigo, quanto tempo! -Dois dias não é muito tempo! Hahahaha! -Pra dois grandes filhas da puta como a gente sempre é! Hahaha! -Tudo bem eu adimito, grandes amigos nunca deveriam se separar assim!

Uma voz é escutada do fim da sala:

-Vamos tratar logo dos negócios.

É Lara, sempre bem elegante com seu terno preto.

-Parem com essas baboseiras e vamos tratar dos negócios. -Muito bem, qual é o próximo serviço que arranjou, vamos ver e saber quem se encaixa melhor. -Ok, o próximo é o dono de uma grande corporação de venda de veículos de luxo. -Hun…Grande coincidência. -Lara, Lara, Lara, pare com essas coisas e vamos sair pra tomar um café, passear na praia e conversar um pouco sobre a gente.

Esse era Juan, um galanteador por natureza, logo que falou tentou agarrar ela pela cintura e não conseguiu, Lara se esquivou como sempre.

-Tudo bem minha querida, um dia você ainda sentirá um amor incontrolável por mim e eu negarei…ou não. -Muito bem.

Ouve-se da poltrona. -Gostaria de saber o que posso fazer por vocês, sabem que minhas influências vão muito além do que vocês esperam. Disse Norman, um sujeito gordinho e que enfiava goela abaixo seu tom sério de chefe, isso fazia todos se calarem, sempre.

-Norman, você e suas influências que vão para o inferno, não ligo pra isso, me dêem os dados que eu aniquilo o sujeito silenciosamente, sem deixar de ser gracioso. Minhas armas nunca falham.

Disse Jonh afastando os óculo para a cabeça e logo cruzando os braços.

-Para o inferno você e sua arrogância seu incompetente!

Respondeu Norman.

-Você não conseguiria terminar um serviço com classe nem que eu lhe pagasse. -Sabe muito bem, senhor Norman, que eu sempre tenho classe, ao contrário de você e seus gorilas que chama de capangas.

Falou Jonh sem alterar o tom de voz enquanto Norman tinha veias pulsando com o mais puro ódio na face. Norman escorregou a mão até seu revólver, entretanto as mãos de Paulo o impediram, ao olhar com toda aquela raiva para Paulo, somente bastou os fortes olhos penetrantes de Paulo para o colocar de volta a si.

-Muito bem!

Gritou Paulo.

-Isso é desnecessário porra! Parecem crianças, seu idiotas, temos um serviço e tudo que sabem é brigar entre si, não importa quem vá! O que importa é recebermos o pagamento! -Ele está certo.

Respondeu o dono do escritório.

-Muito obrigado. O que acho é que deveriam parar e começar a ler bons livros, assim talvez, somente talvez vocês chegariam ao meu nível de compreensão da realidade.

Palmas rápidas são escutadas e Roberto, ou como gostava de ser chamado, Roberta se pronuncia sobre o assunto, sentado na mesa com as pernas cruzadas e um olhar devorador que suas sobrancelhas bem trabalhadas davam em cima de Paulo.

-Você realmente é o melhor e para o melhor somente o melhor, acho que eu deveria terminar esse serviço e acordar contigo ao meu lado Paulinho. -Não, obrigado.

Respondeu Paulo.

-Poxa, assim não tem graça, gostaria tanto de te agarrar e… -Para com isso mermão, colé, acho que vou tomar um ar pra areja as idéia.

Pontuou José e logo ouve-se um barulho de nariz sendo assoado.

-Desgulpe! Estou resfrigado!

Falou Reginaldo usando um lenço prateado. Um cheiro de fumo tomou conta do ar e todos viraram a cara com reprovação para Eliseu, sempre fumando seu cachimbo, mas sabia que nas reuniões houve proibição disso.

-Que foi! Nunca viram um velho fumando porra! Já sei, é proibido, mas vão se foder tá, tão demorando demais e meu pulmão não aguenta mais esse ar puro. -Não é possível que esse velho esteja falando sério.

Lara falou e começou a abrir o envelope.

-Claro que eu tô sua vaca! Não tenho tanto tempo quanto vocês, tenho que a aproveitar essa merda de vida caralho. Um velhor que nem eu, que já viveu tanta coisa não pode ficar perdendo tempo, tenho muito pra fazer antes de bater as botas e… -Tudo bem Eliseu, mas por favor, vá pra perto da janela, sabe que eu sou alérgico a isso, fora que meu perfume novo vai ficar inutilizado logo com esse cheiro de tabaco em mim. -Blá, blá, blá, você só sabe pensar nas tuas coisas Rui, vai viver a vida, segue a dica desse velho, vai comer umas putas sem se preocupar com sua nova camisinha importada. – Chega, sabe muito bem que meus bens são muito importantes pra mim e cruz credo eu usar uma camisinha importada para transar, nem roupa nova eu uso, fica muito fedorenta depois e ai tenho que jogar fora. -Idiota.

O anfitrião interviu.

-Vamos Lara, quem temos de matar? -Você não vai gostar, mas… -Serviço é serviço Lara. Leia por favor. -Temos que matar…v…vo..vo..você.

Por um momento ele sentiu as pernas fracas, toda sua vida de conquistas passou diante de seus olhos e lembrou de seu lema, serviço é serviço. Tomou ar e falou.

-Tudo bem, tudo bem. -Porra irmão, sinto muito, mas sabe comé né, somos amigos, mas é seviço e temos que cumprir. -Não sinta pena de mim amigo. -Muito bem, quem o matará?

Perguntou Lara e deu uma olhada pela sala inteira, ninguém se pronunciou, então ele pegou a arma de seu coldre sobre a camisa e disse:

-São todos covardes!

Um tiro foi escutado por toda a mansão e imediatamente a porta se abriu, era sua mulher. Olhou para a sala vazia e seu marido morto. As últimas palavras que ela o fez ouvir foi:

-Maluco. Agora isso tudo é meu!

Memórias Inquietantes

Mais um dia pacato no vilarejo de Altimor, era como qualquer outro vilarejo, um templo central, uma praça em frente, várias vendas em volta e um pouco mais longe casas, mais especificamente casebres e mais distante ainda as plantações. Pobres moradores, acharam que seria mais um dia como qualquer outro.
Ao entardecer, depois do horário do almoço foi quando aconteceu o inesperado, um velho, de cabelos brancos, pele manchada pelo tempo, olhar astuto e azul celeste pedia um pedaço de pão na praça, mais de uma vez negaram e mesmo seu maior rival não lembraria daquela face, pois apesar do pouco tempo passado ele parecia ter envelhecido alguns 60 anos.
Naquela mesma praça um último homem, o homem cujo velho esperava abaixou para gentilmente lhe oferecer pão, ao tocar o alimento o velho pegou-o pelo braço com a outra mão, deixou seu capuz marrom, aparentemente de couro cair, olhou em seus olhos e sorriu, não um sorriso qualquer, mas um sorriso de quem fazia algo premeditado e gozava cada minuto do que ia acontecer. O homem ficou atônito e sua memória foi se reavivando «Você», disse o homem e logo esta palavra fora proferida o velho retrucou em voz baixa, contudo alta o suficiente para ser escutada pelo homem «Lembraste de mim caro amigo! Pois isto reservei para tu e esta corja imunda que vive aqui!». Logo terminou de proferir esta frase e o braço do homem começou a queimar onde o velho tinha a mão, o homem socou o velho e começou a correr.
A corrida não resultou, o velho começou uma gargalhada rouca e maligna, o chão sobre os pés do homem começou a se mexer como uma esteira, impedindo seu progresso, não só isso, mas virou em brasas e seus pés nus começaram a queimar e o ador insuportável era tal qual a deformação que seus pés sofriam, primeiro a pele se soltou grudando nas brasa, suas feridas sangraram pouco, porque logo foram cauterizadas, seus dedos se viravam em bolhas, o primeiro a estourar foi seu dedo mindinho e ao explodir seus nervos e ossos ficaram ao sabor daquele insuportável calor, logo todos os outros dedos estavam se abrindo como uma espinha sendo estourada, suas pernas estavam banhadas de sangue fervente, seus nervos começaram a se arrebentar pelo pisar direto nas pedras incandescentes e seus ossos começaram a carbonizar, entretanto seu medo era tanto que não parava de correr e gritar. O velho ria cada vez mais loucamente até que o chão parou e o homem avançou com seus olhos chorando sangue de tanta dor. Pobre homem, não sabia porém que era só o começo, quando conseguiu correr deu de cara com um muro que parecia subir do próprio submundo, feito de ossos e sangue, carne e pessoas, demônios e chifres, era quente como o próprio inferno, os habitantes desse muro não demoraram em agarrar o pobre homem e logo em seguida arrancar sua pele, a dor era tão forte que o homem desmaiou.
O homem acorda e percebe que está no colo de seu algoz no meio da rua, como se nada daquilo tivesse acontecido, mas quem dera ter sido só um sonho, o velho sorrindo com um prazer incrível logo fala «Gostou de seu presente Albert!», Albert olha em volta e vê rostos horrorizados enquanto houve vozes de acusação para cima do velho «Bruxo!».
Sua visão turva pela recente experiência vê alguém levantando a mão e em seguida algo vem em sua direção, só que uma parede de rocha incandescente sobe e protege ele e o velho, o velho sempre sorridente «Disse-lhos! E cumpri, voltei!» larga Albert no chão e se levanta todo torto e corcunda, o chão sob seus pés começa a esquentar, a vila parece mergulhar em uma luz vermelha e um buraco abre no céu.
O buraco no céu não era normal, claro, um buraco no céu nunca é normal, mas esse era pior, era um rasgo que se abria no céu e começava a sangrar e sangrar, como uma ferida temível, não suficientemente aterrorizante saiam também sons daquele rasgo, gritos abafados e gemidos de dor altíssimos, era como se abrissem uma câmara de tortura. Do rasgos viam-se estranhos seres voando lá dentro, humanóides com asas coriáceas tanto parecidos com humanos quanto seres deformados, aberrações com vários braços, chifres e até correntes cravadas em seus corpos, o maior problema foi quando as pessoas começaram a correr e gritar, aqueles seres perceberam e olharam para a vila.
O velho olhou para Albert «É isso que todos vocês merecem» e piscou um de seus olhos com verrugas, olhou de volta para a passagem no céu e de lá sairam os horríveis seres, eles vinham atrás das pessoas e as multilavam, mas as deixavam vivas, o prazer delas era ver o sofrimento, cabelos eram puxados até sair de seu couro cabeludo, olhos eram arrancados com as unhas sujas e devorados lentamente, mulheres, crianças e homens não eram poupados, alguns ganhavam passeios aéreos que acabavam em fraturas e contusões, homens ficaram eunucos lentamente através de ganchos e correntes que os deformavam pelo ar, algumas pessoas eram estupradas violentamente pelos seres que tinham cheiro de enxofre, os gritos de horror e dor eram ouvidos provavelmente a quilômetros e talvez tenham assustado durante anos alguns viajantes.
Albert vê o velho olhando fixamente para o portal e seus olhos também se voltam para o tal, de lá parece sair uma figura bonita, com asas, parecia ser o homem mais bonito que vira na vida, não usava camisas e sua calça era negra como o mais terrível pesadelo, suas unhas eram um pouco longas e pareciam quentes, ele todo parecia muito quente, fumaça saia de seu corpo, uma fumaça amarelada, cor de enxofre, seus cabelos eram longos e lisos, iam até a cintura, bem penteados, seu corpo era bem definido, nada monstruosamente forte, sua face transparecia uma paz e arrogância inigualáveis, rosto fino, não carregava pêlos faciais, seus olhos eram algo que lembrava o formato dos olhos de um gato, sua íris era vermelha como o próprio fogo.
O ser foi até o velho e olhou para ele, o velho apenas apertou sua mão, apontou para Albert e foram juntos andando em direção a ele, o velho falou como se tivesse degustando o mais saboroso dos vinhos «O seu verdadeiro castigo meu caro, será muito pior.». O ser pegou Albert no ombro e seguiu o velho, chegaram a uma pequena casa que parecia não ser atacada e Albert logo reconheceu, sua casa, assim que tentou gritar levou um soco e emudeceu.
Sua mulher estava chorando em um canto dentro da casa e o velho sorridente apontou «Lucas, nosso trato pode correr, ela é Lilian, ela te dará descendentes. Pode começar, mas antes vamos deixar Albert numa visão privilegiada.». Albert foi amarrado fortemente a uma cadeira ali escorada e sua mulher foi pega com muita violência pelo braço, o velho ria e praguejava contra os dois, o mais incrível foi ver que ao levantar a cabeça e ver Lucas ela substituiu as lágrimas e o olhar aterrorizado por um sorriso apaixonado, seus lábios carnudos se fizeram a sorrir, seus olhos azuis não desgrudavam dos de Lucas, seus cabelos emaranhados pareciam se eriçar, aliás todos os seus pêlos se eriçaram, seus seios atrás do vestido de camponesa logo tiveram os mamilos endurecidos, sua intimidade logo estava cheia de desejo, suava como nunca suou, todo seu corpo estava molhado, uma sensação de calafrio atravessou toda sua espinha, suas penas ficaram bambas e logo Lucas não necessitava mais de segurá-la.
Seus braços adornaram o pescoço de Lucas e sua boca tocou a boca de Lucas, o cheiro de enxofre e o gosto não pareciam encomodá-la, ele pegou ela pela cintura e apertou-a contra o peito, suas garras rasgaram suas roupas, Albert não queria olhar, mas o velho o segurava para olhar tudo, com um empurrar Lucas levou abaixo todo o corpo de Lilian, ela o acariciava com o veludo que parecia ser sua pele, suas carícias foram assistidas e Albert não se aguentava, chorava e chorava, Lilian, que estava de joelhos, foi virada como um cervo gracioso e seu corpo foi dominado, ela gritava, sangrava, entretanto parecia pedir mais e mais, Albert gritara um não alto e claro ao ver a cena que era desaprovada e perseguida por todo o reino, seus praticantes normalmente eram atirados a grandes fogueiras. Aqueles minutos pareciam horas na cabeça de Albert, entretanto como o velho disse, ela o daria descendentes, logo o ato não estava completo, novamente Lilian foi levantada, entretanto agora seus corpos estavam mais próximos, as garras de Lucas acariciavam seus seios e ela exibia um rosto de pleno prazer, todo o calor dele parece ter sido transferido e ela fechou os olhos e se apertou contra o peito dele, foi virada de frente e logo levou sua boca a de Lucas, suas pernas trêmulas subiram e se prenderam a ele, seus braços pareciam agarrar mais forte do que nunca e seus movimentos revelavam algo que Albert jamais vira, ela soltou seus braços e foi logo deitada sobre a mesa de jantar, sua sinfonia poderia ser escutada fora da casa se os gritos de horror não fossem tão altos lá fora, até que seus olhos apertaram e rapidamente ela levantou e o agarrou, pareciam se unir em um único ser e logo depois seu corpo desfaleceu com o amor que acabara de receber de um ser que transpirava o mal.
Albert pedia para ser morto, entretanto algo pior o esperava, Lucas foi até ele e enquanto Albert gritava sua boca fora preenchida por completo e logo humidecida, cuspindo e vomitando sua cadeira foi virada o assento arrancado com fúria, suas roupas rasgadas e uma dor horrível tomou conta de seu ser, nele foi repetido o feito em sua mulher, mas com mais violência, sentiu o sangue escorrendo entre as pernas e logo algo mais quente que seu próprio sangue escorreu pela mesma, fora posto de volta a sua posição e o velho disse «É toda sua a alma deste pobre diabo!», então Lucas arrastou a cadeira com sua nova aquisição até a porta, com um chute a arrancou e foi voando até o portal, levando consigo toda aquela horda, o velho foi até Lilian e cuspiu em sua cara, foi embora logo depois de se aproveitar do corpo desfalecido como sempre sonhara um dia fazer e foi embora para nunca mais se ouvir falar dele.

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