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Arquivo para a categoria “O nascimento da morte”

Filho de um Sepulcro

Uma situação macabra se monta, a escuridão causada pelas brumas densas de uma floresta úmida, o ritual tem os corpos dos inimigos ainda quentes derramando seu sangue sobre a pedra enfeitada com plumas negras de aves malditas. O mais importante para o ritual porém era o sangue dos próprios presentes, enquanto os inimigos se esvaíram totalmente uma mulher, uma gestante se deitava desnuda na pedra ritualística, seu cabelo negro indígena era lentamente umedecido pela morte recente, seu corpo conservava uma silhueta que denunciava o qual escultural era a jovem de barriga saliente, viu a sua volta o xamã que expelida uma fumaça que era incrivelmente mais densa que as brumas da floresta, sentiu dedos entrando em sua boca e seu ânus depositando um punhado de ervas mastigadas e de repente tudo se contorcia e o próprio xamã se virou em dragão dançante, sua cabeça era fogo que expelia palavras esfumaçadas, um cântico grave repetia em sua cabeça e em volta corpos bamboleavam ritmicamente como seus cabelos no dia que o viu pela primeira vez, as vozes dizendo em sua língua algo como “a morte terá vida e a vida terá morte, a todos os inimigos”, como se toda a força que fazia não adiantasse, seu corpo cedeu aos delírios que liriavam e liravam em sua cabeça, aquela pedra cheia de pontas virava algo macio e macio toque de seu amante se traduzia em ódio.

Um apagão e ao voltar seu marido está a sua frente, o cântico continua, o inferno ainda não acabou, pensa a jovem enquanto percebe um choro novo, que jamais imaginaria estar em um lugar como esse, logo seu recém nascido está em seu colo, ainda ensanguentado e ligado a sua própria efêmera vida. A sua alegria logo é sufocada com fumaça e sangue de seus próprios descendentes, seus irmãos, seus pais e por fim seu marido que se deita por cima dela e com um delicado gesto arranca lentamente a alma de sua mulher pela corda da mente, neste momento ela ouve o silêncio da dor e o sopro da vida foge por seus ferimentos, não uma fuga comum, mas uma fuga entristecida e amedrontada que faria o pior dos monstros não desejar viver, o xamã retira de seus braços o último grito de vida, com uma mão puxa violentamente a ligação final com este mundo e a dança macabra deste ritual termina com o progenitor retirando a própria vida. Nasce então um filho da morte.

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